É comum ouvir que a psicanálise seria uma prática sem base científica. Nas últimas décadas, porém, a psicoterapia psicodinâmica, que tem raízes na psicanálise, foi estudada em ensaios clínicos e em revisões sistemáticas.
O que mostram as revisões
Revisões publicadas em periódicos como American Psychologist, JAMA e American Journal of Psychiatry indicam eficácia comparável à de outras psicoterapias reconhecidas. Alguns estudos sugerem ainda que os benefícios tendem a se manter após o término do tratamento.
Esse acompanhamento depois do fim da terapia, chamado de follow-up, foi tema de uma revisão de que participei, publicada na revista Contextos Clínicos em 2017. Também participei de uma revisão sistemática dos ensaios clínicos em psicoterapia psicanalítica com adultos publicados entre 2008 e 2013.
O que isso significa na prática
Pesquisa não substitui o encontro clínico. Cada pessoa é única, e nenhum profissional ético pode prometer resultados. O que a ciência oferece é a segurança de que se trata de uma abordagem séria, estudada e reconhecida.
Psicoterapia psicanalítica e psicanálise são a mesma coisa?
São próximas. A psicoterapia psicanalítica usa os fundamentos da psicanálise, em geral com sessões face a face e com frequência combinada conforme a necessidade de cada pessoa.
Shedler, J. (2010). The efficacy of psychodynamic psychotherapy. American Psychologist, 65(2), 98-109.
Leichsenring, F. & Rabung, S. (2008). Effectiveness of long-term psychodynamic psychotherapy: a meta-analysis. JAMA, 300(13), 1551-1565.
Steinert, C. et al. (2017). Psychodynamic therapy: as efficacious as other empirically supported treatments? American Journal of Psychiatry, 174(10), 943-953.